Redesenhando uma ilustração digital com lápis aquareláveis

Por: Luana Gurgel - 13/02/2019


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Uma das coisas que eu mais costumo conversar com o pessoal que quer iniciar no mundo dos desenhos é sobre estilo próprio! Na minha opinião, acredito que ter um estilo próprio de desenho é super importante, porque faz com que a gente se destaque, e gera identificação com o público. É interessante observar o quanto nosso estilo muda, em pequenos ou grandes intervalos de tempo. Quando iniciei, em 2015, eu tinha um estilo bem diferente, mas ainda assim sinto que a vibe continua a mesma: cores, elementos e sobrancelhas grossas. Eu confesso que não tinha técnicas tradicionais desenvolvidas, então eu me sentia mais confortável fazendo desenhos digitais, principalmente vetoriais, utilizando o Adobe Illustrator para praticamente todas as ilustrações. Com o tempo, eu senti a necessidade de mudar para algo que me permitisse criar mais livremente, com fluidez, mistura de texturas e cores, e foi aí que eu além de ter migrado para outros programas digitais, como o Paint Tool SAI e o Adobe Photoshop, eu também senti que precisava melhorar nas técnicas tradicionais.

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A partir dessa mudança, comecei a investir em materiais que me permitissem estudar essas técnicas! Eu tinha muita vontade de aprender aquarela, mas sempre tive uma dificuldade enorme em acertar a proporção certa de tinta e de água, então acabava desistindo temporariamente. Acho que o importante é não desistir nunca; por mais difícil que pareça, se a gente se dedicar, estudar e praticar, com certeza o retorno do estudo vem – e vem bonito, pode apostar! Quando eu percebi que dominava melhor a aquarela, fui me aventurando mais nas técnicas e misturando cores, até estabelecer um jeito Lulooca de fazer minhas aquarelas! Hoje em dia, sou apaixonada pela técnica, mas sei que tenho um mar de coisas para aprender. O que eu quero trazer hoje é uma vertente da aquarela: os lápis aquareláveis.

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Antigamente, eu só utilizava esses lápis para finalizar aquarelas prontas, feitas com tinta; eu não utilizava na máxima potência o que esses lápis proporcionam. Foi só quando eu testei os GoldFaber da Faber-Castell que eu me permiti aventurar mais e perder o medo de aquarelar com os lápis, porque eu sempre tive receio de errar. Quando eu deixei a insegurança de lado e fiz o meu primeiro desenho inteiramente com os lápis aquareláveis, eu nunca fiquei tão feliz com o resultado de uma ilustração! Hoje em dia, ela é a minha aquarela preferida! Os lápis aquareláveis, além de uma alternativa para quem não domina muito bem as tintas (em bisnaga ou pastilha), funcionam também para quem quer começar com algo menos intimidador. Depende do ponto de vista de cada um. Acho que se eu tivesse me tocado que existiem lápis aquareláveis no comecinho, quando iniciei na aquarela, talvez não tivesse tanto medo e errasse tanto. Mas tudo tem sua hora, e eu fiquei feliz por vencer a barreira dos lápis e conseguir um bom resultado, que foi com essa baleia abaixo.

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Hoje eu vim mostrar como eu faço uma ilustração do zero, utilizando os lápis aquareláveis GoldFaber, além de outros materiais tradicionais. Achei que seria legal fazer algo relacionado ao que eu disse ali no comecinho: uma mudança de estilo! Peguei uma ilustração digital antiga de 2015, uma das primeiras que eu fiz e que foi foto de perfil do Instagram durante muitos meses, e decidi recriá-la com meu estilo de hoje, 4 anos depois, com técnicas tradicionais! Foi um processo gostoso, pois pude ver o quanto meu estilo mudou, o quanto minha percepção sobre as coisas, elementos, cores e texturas evoluiu, e dei um pequeno passo a passo de como pintar com os lápis. Vamos lá?

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Essa foi a ilustrinha que eu escolhi, e vou mostrar para vocês como fiz, em alguns passos importantes. O sketchbook que eu estou utilizando é um Canson linha XL, próprio para aquarela, com uma ótima textura e tamanho A4. Então eu começo observando o desenho antigo e recriando com grafite, com o estilo atual! Já no rascunho mudei bastante o estilo; é muito bacana observar isso!

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Depois de finalizar o rascunho, eu costumo fazer duas coisas: contornar com caneta nankin à prova d’água ou deixar no grafite e fazer a aquarela por cima. Como eu não tenho borracha limpa-tipos, que deixa o grafite mais clarinho e propício para aquarelar por cima, eu costumo e gosto mais de contornar com as nankins, que foi o que eu fiz nessa aquarela. Eu sou apaixonada por ponta pincel: as que eu mais costumo usar são as 2 primeiras listadas abaixo, e nessa ilustra eu utilizo as da Faber Castell. O que eu mais gosto nesse tipo de caneta é que podemos variar o traço de acordo com a pressão. Cada traço subindo eu deixo mais fino, e cada traço descendo eu deixo mais grosso. Essa técnica é semelhante ao lettering, mas você pode ficar à vontade para fazer do jeito que quiser. Assim que eu contorno tudo, deixo secar um pouquinho para depois partir para a aquarela.

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Eu gosto de começar pela pele, em qualquer tipo de ilustra: primeiro as áreas de sombra e extremidades, depois embaixo do nariz, embaixo do pescoço, ao redor do rosto, testa, pálpebras, e também faço os blushes, que são as partes rosadinhas na bochecha e no nariz.

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Tendo pintado as áreas que eu quero, eu pego o pincel, molho um pouco e vou pincelando as áreas pintadas. O lápis é extremamente pigmentado e se dissolve na água, sem deixar marcas ou manchas; ou seja, uma vez que entra em contato com a água, ele se torna uma aquarela, com um efeito incrível! Então eu vou pincelando, mesclando, juntando as cores e deixando o pincel mais molhado à medida necessária. Os pincéis que eu utilizo são todos da Keramik. Tenho apenas três, nos tamanhos pequeno (0,310), médio (2,705) e grande (10,311), o que para mim é suficiente.

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O resultado dessa misturinha de lápis, pincel e água é a foto abaixo. Eu gosto de deixar minhas aquarelas com um efeito “bagunçado”, com nuances de cores claras e escuras, sem deixá-las chapadas. Mas isso vai de cada um, por isso temos que treinar para descobrir nosso estilo de aquarela.

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Para todas as outras partes – cabelos, cenário, casaco – esses passos se repetem: primeiramente passar os lápis, deixando áreas em branco, outras fortes, outras fracas; depois passar o pincel com água; depois unir tudo aos poucos.

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Para escurecer uma parte já pintada, basta esperar aquela parte secar, pintar com o lápis por cima novamente, depois passar o pincel com água, porque ele vai pintar perfeitamente, sem manchar ou borrar. Na imagem abaixo, eu precisei escurecer algumas mechas do cabelo, exatamente assim.

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Um detalhe que eu gosto de fazer é deixar o cabelo cheio de fiapinhos; para isso, eu prefiro utilizar a tinta que eu já tenho no godê de aquarelas, mas você também pode fazer esse efeito traçando linhas com os lápis aquareláveis e passando o pincel molhado para tirar a marca do lápis.

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Como eu disse lá em cima, eu gosto de deixar minhas aquarelas com um ar bagunçado e “poluído”, então uma coisa indispensável são os respingos, semelhantes aos fiapos de cabelo. Eu costumo molhar bastante o pincel, tocar na tinta rapidamente e logo depois ficar dando batidinhas com o pincel cheio de água e tinta, aleatoriamente. Você também pode fazer isso pintando várias áreas em formato de bolinhas com os lápis e passando o pincel com água.

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Estamos quase acabando! Os detalhes finais são sempre resumidos em: bastante brilho e pontinhos pretos e coloridos! Os brilhos eu gosto de fazer no cabelo, na boca, bochechas, nariz e olhos são feitos com a caneta Posca. PC-3M. Para detalhes, eu também utilizo a Sakura Gelly Roll 08.

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Tcharam! Depois disso tudo, temos a nossa ilustrinha finalizada, bem colorida, utilizando apenas canetas nanquim, lápis aquareláveis, pincel e água! O que acharam? Agora quero ver todos produzindo suas belas aquarelinhas, pois eu tenho certeza de que vocês são capazes!

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É isso, galerita! Espero que vocês tenham gostado! Foi um prazer compartilhar um pouco do meu processo criativo, e desejo a todos ótimas aventuras artísticas! Vou deixar abaixo alguns vídeos para vocês se inspirarem e criarem suas aquarelinhas com outras técnicas! Um shero da Lulooca e boas produções!

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Vídeos inspiradores



Luana Gurgel, ou Lulooca, é uma ilustradora de Natal, RN, apaixonada por artes, desenhos, cultura japonesa e tirar inspiração dos acontecimentos incríveis da vida. Em sua lojinha, ela transforma ilustrações em prints, bottons, marca-páginas, etc.



Comentários:

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Rebeca Arruda 28/04/2019 15:50:50

Maravilhosa Mary Cagnin!!!(*.*)!!!vcs são maravilhosas no que fazem!!!(*.*)!!!

Karyne Moura 25/02/2019 19:01:20

Ganhei alguns materiais de aquarela e fiquei super motivada a usar vendo suas técnicas. Amei

Daniella Barroso 25/02/2019 18:06:28

Parabéns.

Bruno Medeiros 23/02/2019 00:24:38

Adorei ver a sua técnica, metodologia e a sua didática é muito boa! Obrigado por compartilhar :D