Quem sou eu? Qual o meu lugar no mundo?

Por: Keiko Kawati - 12/06/2020
Coluna

 

Você abre uma playlist e deixa tocar naquele modo de descobertas. Uma voz familiar começa a cantar e, mesmo sem ter ouvido aquela música antes, você sabe com todas as forças de que aquela voz é da Rihanna. Ou: você passeia pelo acervo do museu e se depara com uma pintura, que com certeza é do Van Gogh. Aquele jeito dele de pincelar você já conhece, não há como se enganar.

Se o conjunto de características que nos diferencia uns dos outros é o que podemos chamar de identidade, como podemos pensar sobre isso, dentro do universo do desenho? O que nos torna diferentes uns dos outros?

https://inspirarte.art.br/Content/assets/images/coluna/Coluna-Keiko-Kawati/1.png

 

Antes de começar a trabalhar no mercado editorial tive pouco contato com a literatura infantil, infelizmente. Eu mesmo tinha essa ideia de que tudo se resumia a livros com imagens coloridas. Contudo, quando tive meu primeiro contato com o processo de criação para essa área, foi apaixonante e me fez ver como a maneira de se contar histórias com texto e imagens pode ser algo criativamente muito envolvente e rico, trazendo a possibilidade de inúmeros universos a serem explorados. Descobri que o livro infantil é direcionado não apenas para crianças, mas também para a infância interior de muitos adultos.

Sou apaixonada pelos desenhos da Lu antes de tê-la conhecido. Parece que ela faz carinho no papel na hora de desenhar, como disse um amigo esses dias, o Daniel. E em uma das longas conversas com a Lu, ela comentou que foi a avó que a ensinou a escrever, que a mãe falava sobre o cuidado, o tempo, o capricho, que o irmão a ensinou a desenhar bem redondinho. E tudo isso é muito aparente no que ela faz. :)

Ficou muito claro para mim que a identidade verdadeira e genuína vem de muito além do ato de desenhar, e do que se gosta.

É muito mais sobre nossas origens, e o que vivemos, no sentido mais amplo de viver. Ver, sentir, pensar, agir, rir, ler, assistir, comer, dormir.

https://inspirarte.art.br/Content/assets/images/coluna/Coluna-Keiko-Kawati/2.png

“A arte não reproduz o visível, ela torna visível” (Paul Klee)

 

É muito bem aceito que cada pessoa tem uma letra de mão. Sabe, aquela letra cursiva escrita? Escrever é também um ato de desenhar! Para que essa forma física de escrita exista, não tem uma fórmula: é um conjunto de vivências, talvez na escola, talvez em casa com caderno de caligrafia, ou tentando copiar a letra da professora, admiração pela letra de uma pessoa, ou mudando de letra a cada dia, dependendo do humor e da disposição… Às vezes se parece com um garrancho que só você mesmo vai entender, e noutros existe a intenção de que a mensagem seja lida do outro lado. Exatamente como desenhar.

Não existe uma fórmula para encontrar sua identidade. Seja paciente consigo, nada é definitivo: e estamos todos aprendendo a ser quem somos dentro da pele que vestimos, a cada dia.

O que desenhamos ou escrevemos é um registro gráfico de uma cápsula do tempo. Olhar para os desenhos é um convite para se encontrar, se revisitar, se ver de outros ângulos e, principalmente se transformar. Fica visível e palpável o quanto mudamos a cada dia.

Para ver mais ilustrações é só seguir o meu perfil:

https://inspirarte.art.br/artista/kawakeiko/perfil

 

Keiko Kawati



Comentários:

Para comentar você precisa estar logado.

Elizabete Akune 16/06/2020 10:52:35

Minha Mestre, inspira e expira o amor pela pintura. Gosto de vê-la desenhando e ao mesmo tempo falando sobre a pintura em si, ou suas experiências de vida, ou simplesmente suas rotinas, interligadas a arte.