Entre bordados e aquarela

Por: Juliana Rabelo - 05/04/2018

Oi! Eu sou a Juliana, moro em Fortaleza, sou ilustradora e professora, e estou super feliz e honrada de estar escrevendo para vocês.

Fortaleza foi dessas cidades que acolheu o contar de histórias em linha e agulha, que foram virando tradição nas redes de mulheres: foi uma avó que ensinou para a filha, que ensinou para a neta, e assim a memória tem se mantido viva e se reinventado a cada novo par de mãos que se põe a bordar.


Quase todo mundo tem alguém na família que borda ou já bordou, e na minha, era a bisavó paterna. O meu contato com o bordado só veio depois de muito tempo e um hiato de uma geração, mas esse encontro com as linhas já tinha acontecido muito antes, nos desenhos da infância. A minha mãe conta que levava na bolsa duas coisas essenciais para me manter quieta: um saco de balinhas de iogurte e um bloquinho de papel com caneta.


A ponte entre a Julianinha de 6 anos e a de 26 é a linha. Uma linha trêmula, outra linha que atravessa o tecido e às vezes fura o dedo. Uma linha errante, outra linha arrematada. Uma linha incerta, uma linha tênue. As linhas do desenho nunca deixaram de fazer parte da minha vida: elas foram crescendo, mudando e amadurecendo junto comigo. Depois, a faculdade de Moda me mostrou a linha de fibra e, anos mais tarde, a curiosidade me levou para alguns cursos com mulheres incríveis, onde eu percebi a beleza do bordado, do encontro de bordadeiras, do desemaranhado dos pensamentos.


O fazer manual revela muito sobre a gente em cada pequeno detalhe. Dizem que a tensão da linha é a nossa tensão - no bordado, afrouxa ou franze o tecido; no papel, definha ou firma as formas. A aquarela tem a fluidez e a delicadeza na urgência da água, enquanto o bordado se constrói vagarosamente, desacelerando o tempo. É a expressão da nossa busca pelo equilíbrio das coisas.

Poder resgatar e compartilhar fragmentos das minhas raízes enquanto falo das coisas que sinto é o que mais me inspira. O encontro de técnicas é como o encontro entre as pessoas: surpreende, ressignifica, revigora, constrói ideias, abre as portas e as asas.



Tradição é costume, que é também algo que se faz repetidas vezes, como a linha que se finda e renasce no olho da agulha, sobe e desce no entrelaçado das fibras, revivendo cultura, honrando a memória de minha bisavó nas entrelinhas, fazendo nascer as linhas que ligam vidas passadas ao momento presente, as linhas que saltam aos olhos no tecido ou no papel.

Vídeos inspiradores




O clipe da versão da Lily Alen para “Somehwere Only We Know” tem essa animação linda, e revela um pouco dos processos de criação de algumas etapas e pedacinhos. <3


Uma entrevista com Glen Keane, animador da Disney que esteve nos bastidores dos clássicos como Pequena Sereia, A Bela e a Fera, Tarzan, dentre outros, partindo do desenho tradicional no papel para o tridimensional, num equipamento super tecnológico! Me faz pensar sobre como a gente sempre tem de estar aberto às novas possibilidades!


Quando eu comecei a estudar aquarela, a agnes-cecile era a minha musa-inspiração-mor. Eu perdi a conta de quantas vezes já assisti todos os vídeos dela. Vejam que lindo o que ela consegue transmitir com as manchas de tinta!


Fiz alguns poucos vídeos dos processos das minhas pinturas em aquarela. Esse é meu favorito, que mostra um pouquinho de como faço para bordar no papel. :~)


O discurso do Neil Gaiman sobre fazer arte. Apenas assistam.


A Fran Meneses (Frannerd) tem um canal INCRÍVEL, com uma série de dicas para ilustradores profissionais e iniciantes. Vale muito a pena acompanhar de perto.


O Daniel Brandão não é só meu chefe, mas também um amigo muito querido e um profissional incrível. Juntamente com a equipe do Estúdio, eles têm produzido vídeos maravilhosos sobre desenho, quadrinhos, processos criativos e tudo mais. Esse é meu favorito, e fala sobre a importância do caminhar dentro do seu processo de aprendizado no desenho.


Para além do bordado e das cores, as produções independentes no cenário da música aqui em Fortaleza também me enchem os olhos (ou seriam os ouvidos?). Forria é uma banda composta por oito amigos queridos, e fala sobre a angústia e a força dos jovens, sobre as alegrias e os pesares de quem vive em terras alencarinas. As músicas são verdadeiros recortes históricos da cena de Fortaleza, onde o regional abraça o rock e te tira para dançar. “Preto dos teus olhos” é a minha música favorita, mas vale muito a pena ouvir o CD inteirinho!

Juliana Rabelo é ilustradora, tem 26 anos e mora em Fortaleza. Formada em Design de Moda pela Universidade Federal do Ceará, já fez trabalhos em parceria com a Maurício de Sousa Produções, Marisa, Editora Record e Faber-Castell. Atualmente, é professora de aquarela no Estúdio Daniel Brandão.



Comentários:

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yanna Amorim 20/04/2018 00:17:28

adorei a arte com bordado no papel s2

yanna Amorim 19/04/2018 23:51:48

seus trabalhos são o ótimos..de uma sensibilidade reflexiva, muito interessante. é um trabalho inspirador. obrigado pelos os videos compartilhados. parabens pela a arte

Livia Ximenes 07/04/2018 11:15:53

Parabéns Juliana, seus trabalhos são lindos... obrigado por compartilhar um pouco da sua história e fontes de inspiração com a gente... Eu também moro em Fortaleza... um dia a gente poderia até se encontrar pelas ruas daqui... Parabéns 😊😊