O que desenhar quando não sei o que desenhar

Por: Clarissa Paiva - 07/08/2020

Olá! Meu nome é Clarissa Paiva, sou artista visual e ilustradora. Nessa coluna irei descrever como eu preenchi um caderno de papéis arco-íris com poucos materiais, um tema, e um desafio proposto por mim mesma.

Para isso, vamos começar falando do temido "bloqueio criativo".

Muitas vezes a gente sente uma vontade absurda de criar. Você reúne seus estojos e cadernos e se prepara para trabalhar. Mas aí você se depara com o papel em branco e de repente, a sua mente está tão em branco quanto. Muitos artistas famosos, até os grandes mestres, relatam o tal "medo do papel em branco", é algo bastante comum que todo mundo sente. Ao mesmo tempo que um papel em branco representa possibilidades infinitas, o papel também nos intimida, pode até nos deixa sem reação. Como faz para conseguir trabalhar mesmo quando a gente se sente assim?

Aí vem a vontade de procrastinar:  "Deixe esses materiais de lado, vá fazer outra coisa" a sua mente te convence que ficar olhando um papel em branco certamente não levará a nada. Afinal, o que não faltam são distrações. Quem nunca passou horas se divertindo entre serviços de streaming e redes sociais e quando você se dá conta, o dia já passou. Fora as nossas obrigações do dia-a-dia e afazeres domésticos. Nisso você se distrai e aguarda a inspiração "bater" de novo, logo logo fica claro que não é assim que funciona.

Por isso é fundamental aproveitar esse momento que você se preparou para produzir, mesmo se estiver sentindo o bloqueio. Existem vários exercícios que você pode experimentar. Por exemplo, organizar objetos e frutas sobre a mesa da cozinha poderá rapidamente transformar a tensão do bloqueio numa sessão de natureza morta. Desenhos de observação são sempre bem-vindos nesses momentos, os objetos que você irá desenhar já estão na sua frente.

Outros exercícios experimentais que são ótimos para estimular o desenho são os exercícios de desenho cego, em que você desenha objetos de observação sem olhar para o papel. Ou mesmo criar desafio para você mesmo, como realizar o desenho como uma linha só sem tirar o lápis do papel. Esses exercícios relaxantes são ótimos para aliviar a pressão e alimentar a vontade de criar mais.

Outra proposta popular é criar desafios para você mesma. Esses desafios devem ser acompanhados de um objetivo específico, por exemplo " vou desenhar todos os dias durante 15 dias começando hoje" ou "vou desenhar essa natureza morta usando apenas 3 lápis de cor do meu estojo que irei escolher de olhos fechados". É importante determinar fatores e objetivos, desafios soltos criam pesos desnecessários.

Outra dica, esses desafios não precisam ser compartilhados em redes sociais. Algo que é um grande desafio para você, não será para outro artista e vice-versa. Para muitas pessoas apenas fazer tempo para criar já é desafio suficiente. Por isso compartilhar em rede social, dependendo de como você está se sentindo pode criar uma pressão desnecessária sendo que estamos tentando estimular a criação.

No meu caso, eu tinha alguns excessos de materiais que queria usar, havia comprado um caderno de folhas coloridas. Tenho hábito de usar bullet journals mas não consegui adaptar as folhas coloridas para tal journal. Também herdei muitos grafites 2.0mm Faber-Castell na cor laranja. Além disso, estava sentindo a necessidade de praticar expressões e características faciais há tempos.

Certo dia ao juntar esses materiais, me dei conta que o meu desafio estava pronto: preencher o caderno inteiro de retratos diversos com estudos de diferentes expressões apenas com lápis, grafite laranja, e no máximo, toques de caneta branca e dourada.

Assim preenchi todas as folhas de todas cores que o caderno tinha para oferecer, (até as cores berrantes como o amarelo marca-texto), com estudos de características e expressões femininas, e em poucos meses o caderno estava preenchido. E objetivo inicial de dar vida aos materiais encostados? Todos devidamente aproveitados e apreciados. Como bônus, as expressões foram estudadas a ponto de me ajudarem bastante com o meu trabalho atual. Além disso, muitas ideias foram surgindo ao longo do processo que, com certeza, darão muitos frutos.

Aproveite esse tempo que é seu, aproveite o material que tem em mãos e aproveite as possibilidades que o papel em branco tem para oferecer!

 

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Olá! Meu nome é Clarissa Paiva, sou artista visual e ilustradora. Nessa coluna irei descrever como eu preenchi um caderno de papéis arco-íris com poucos materiais, um tema, e um desafio proposto por mim mesma.



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