A importância da saúde mental no processo criativo

Por: Isabella Renata - 04/06/2019


Oi! Meu nome é Isabella Renata, também conhecida como Lionheartedart nas redes sociais, e trabalho como ilustradora freelancer há quase dois anos no tempo livre dos meus estudos de arte. Primeiramente, estou muito feliz pelo convite para escrever essa coluna e compartilhar um pouquinho da minha experiência com vocês. Nesse texto eu decidi falar sobre algo muito importante no processo criativo e que por vezes acaba passando batido para nós mesmos, a nossa saúde mental. Somos tão bombardeados de informações, referências e inspirações no nosso dia a dia de artistas (profissionais, estudantes ou por hobby), que é fácil cedermos à “síndrome do impostor”, aquela sensação de que não passamos de “fraudes”, que fingimos saber fazer algo, e que nós não somos verdadeiramente aptos ou merecedores do reconhecimento. Acreditem, é uma sensação mais comum do que imaginamos; até mesmo nos artistas que nós admiramos e vemos como inspirações. O primeiro passo para aceitarmos nossas inseguranças é aprender a enxergar aqueles que admiramos como o que são – pessoas normais como nós, sujeitos aos mesmos sentimentos e receios, e que passaram (e passam) pelo mesmo processo de aprendizado.



Ilustrações Isabella Renata



Imagem Arte Isabella Renata


Como já foi falado em outras colunas do Inspirarte, a ideia de que a arte é um “dom” é equivocada e deixa de levar em consideração todo o esforço, prática e principalmente as fases boas e ruins do processo de desenvolvimento artístico. A única coisa que define o quão longe nós vamos é o quão dispostos estamos para continuar, quão certos estamos, lá no fundo, do caminho de expressão que queremos seguir. Já vi muitas pessoas dizerem que não acreditam ter habilidade suficiente para chamarem a si mesmas de artistas, e isso também é algo que precisa ser desmistificado. A capacidade de se expressar, de contar histórias e passar sentimentos por meio da arte é uma das mais importantes que nossa espécie possui, e por isso todos somos, naturalmente, artistas – basta buscarmos uma forma de nos expressar. A técnica é também algo muito importante de se desenvolver, se essa for a intenção, é claro, mas acima de tudo, uma boa arte é uma arte que passa sua mensagem e se expressa de forma bem-sucedida.



Imagem Arte Isabella Renata


A criatividade, assim como a técnica, é uma habilidade que também precisa ser alimentada, e a saúde mental está diretamente ligada a ela. Ela é o reflexo de que o estilo de arte vai além da forma como desenhamos — se refere a todo o nosso conjunto de experiências e inspirações, a todas as soluções que encontramos para os nossos processos artísticos — basicamente, o conjunto de coisas que apenas nós poderíamos produzir. Dito isso, deixo aqui algumas dicas importantes de atitudes no dia a dia que alimentam a nossa habilidade criativa:

1. Seja curioso. Tenha a capacidade de refletir sobre as coisas e esteja aberto ao questionamento – isso nos ensina a atravessar barreiras que talvez encontremos durante o processo criativo.
2. Tenha coragem de experimentar. Às vezes precisamos encontrar soluções inusitadas para as barreiras que encontramos durante a criação artística, e é importante saber desafiar a si mesmo e tentar coisas novas.
3. Tenha coragem de errar. O erro é uma das partes mais importantes de todo o processo. A coluna “A importância do erro” do Eduardo Vieira aqui no Inspirarte é uma ótima leitura e fala justamente sobre isso!
4. Desenvolva a capacidade de transformar erros. Ter imaginação para transformar os supostos erros em coisas novas é uma habilidade muito importante que complementa nossos trabalhos. Como dizia o pintor Bob Ross, “não existem erros, apenas felizes acidentes”.
5. Faça coisas com paixão e persistência. Claro, perfeccionismo demais pode nos travar e fazer a gente se apegar demais a pequenos detalhes – é importante ter paixão nas coisas que fazemos, mas também é importante saber desapegar do que não funciona conforme o planejado, para que possamos seguir em frente e tentar de novo.
6. Tenha a capacidade de fazer algo sem esperar algum resultado específico. Dessa forma conseguimos entrar no chamado “fluxo artístico”, onde o processo se torna tão fluído e divertido que o fazemos pelo simples prazer de fazer, e não esperando um resultado.
7. Seja motivado e desenvolva a autoestima. É importante confiar na nossa própria capacidade, afinal de contas, é sempre possível ver os passos que nós damos se prestarmos atenção e os valorizarmos.
8. Ter autocrítica, saber reconhecer nossos limites, não como coisas ruins, mas como possibilidades constantes de melhorar mais e mais.


Imagem Arte Isabella Renata


É importante respeitarmos nosso próprio tempo de desenvolvimento artístico. É normal que, durante esse processo, passemos por altos e baixos – quando estamos satisfeitos com os nossos trabalhos, significa que nossa habilidade técnica se encaixa na nossa análise crítica, que somos capazes de fazer aquilo que consideramos bom naquele momento. Já a insatisfação e o bloqueio criativo geralmente vêm quando nossa habilidade de analisar visualmente é maior do que a nossa técnica, o que nada mais é do que nossa visão evoluindo; e isso nos motiva a melhorar. Imagina se sempre estivéssemos satisfeitos com aquilo que produzimos? Não iríamos ter nada que nos motivasse a sair do lugar e buscar evoluir.
Lembre-se, valorize os momentos ruins também. Quanto mais tentamos nos forçar a fugir desses momentos e dos bloqueios criativos, mais postergamos o final. Esses momentos são necessários, e é preciso nos darmos o direito de passar por eles. Não dá para forçar o nosso corpo além do que ele realmente aguenta, e com a nossa mente é a mesmíssima coisa. Às vezes é necessário repousar, ler um livro, assistir a alguma série ou vídeo que nos inspirem, respirar antes de voltar a produzir; só precisamos confiar que somos capazes – porque somos!


Imagem Arte Isabella Renata

Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer não apenas enquanto artista, mas também em relação à confiança que estou construindo quanto ao meu trabalho; mas esses são caminhos que todos nós percorremos constantemente. Afinal, essa é uma das coisas mais incríveis sobre fazer arte: existem sempre novos desafios pela frente.
Caso você tenha interesse em ler mais sobre algumas das questões que mencionei aqui, existem outras colunas aqui no Inspirarte em que artistas incríveis também falaram sobre esses assuntos. Além da já mencionada coluna do Eduardo Vieira, indico outras como: “Como comecei a criar a partir de uma adversidade”, da Luiza de Souza; “Dom para desenhar é mito”, do Itamar Dutra; “Como encontrar seu estilo pessoal”, da Isadora Zeferino; e “Procrastinação e bloqueio criativo”, da Keiko Kawati; além de diversas outras colunas já publicadas que valem muito a pena!



Vídeos Inspiradores:



Isabella Renata, ou @lionheartedart, é uma ilustradora freelancer e artista digital de São Paulo. É apaixonada por criar personagens, desenhos em estilo cyberpunk e misturar natureza e tecnologia.



Comentários:

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Lucas Reis 18/06/2019 15:24:31

Parabéns pelas palavras de incentivo à reflexão! Para mim elas são muito bem-vindas por parte de cada Colunista que já deu seu recado! Obrigado.

Isadora Matosu 13/06/2019 11:21:32

CR isso me motivou muito mano.

Luciana Venâncio 07/06/2019 07:38:04

Coisa linda essa menina, meu Deus!