No Mundo dos Quadrinhos

Por: Rebeca Prado - 05/03/2018

Ei! Meu nome é Rebeca, eu tenho 27 anos e sou ilustradora, roteirista e quadrinista. E eu vim aqui para falar sobre histórias em quadrinhos.
Genérico, né? Mas vou fazer um recorte da minha experiência dentro desse universo.
Sempre me perguntam quando eu percebi que queria fazer quadrinhos. Acho uma pergunta muito difícil, porque eu não necessariamente quis fazer quadrinhos. Eu precisei.
Para mim, fazer quadrinhos é uma forma de me comunicar com o mundo. É como eu coloco as minhas angústias para fora.


Explicando para quem não conhece, as histórias em quadrinhos são uma forma antiga de narrativa, que combinam texto e imagem de modo que se consiga passar uma mensagem de forma sequencial e eficiente.

Comigo começou lá quando eu era criança. Uma revistinha da turma da Mônica, duas, dez. Tio Patinhas, Zé Carioca, Luluzinha, Peanuts.

Depois veio a adolescência e, com ela, os mangás. Não sei nem falar quantas vezes eu li Akira e Sakura Card Captor.

Os quadrinhos me hipnotizavam de um jeito que eu não conseguia explicar. Li Retalhos, do Craig Thompson e minha cabeça explodiu. Will Eisner, Jill Thompson, Neil Gaiman, André Dahmer, Jen Wang, Cyril Pedrosa. Tantos nomes!

Não preciso nem dizer que para eu começar a fazer meu próprio material foi um pulo, né? Eu amava aquela combinação de texto e imagem onde eu controlava o tempo, o tamanho dos quadros, o formato dos balões.
Existe um segredo que paira no éter da existência, mas ninguém te conta: fazer quadrinhos, ler quadrinhos, tudo isso é um caminho sem volta.


Tem para todo mundo: o quadrinho americano clássico, com seus super-heróis que estão super em alta. O quadrinho europeu, com histórias mais longas, traços peculiares. Os mangás, vindos lá do oriente e tocando a gente pelos lados de cá. As graphic novels, com histórias que torcem seu coração. O quadrinho nacional, ah, o quadrinho nacional, tão dono do meu coração. São os tipos mais variados: terror, ficção, cotidiano, fantasia, tiras, webcomics.
Em algum momento da minha vida, eu passei a respirar quadrinhos. Acordo e durmo pensando no que eu quero contar na minha próxima história. Saio devorando volumes como um bicho papão. E, ao final de cada um, respiro orgulhosa de fazer parte disso, produzindo ou lendo.


Mas a verdade é que eu gosto mesmo é de contar histórias. E aí aproveito para contar uma história que mudou minha vida (e essa não é inventada!). Foi no Festival Internacional de Quadrinhos, em 2015. Eu era caloura no negócio. Tinha acabado de lançar meu primeiro quadrinho por financiamento coletivo e era convidada de um evento pela primeira vez na minha existência. Já era minha loteria.

Me colocaram em uma mesa de debate com a Gail Simone – que é só uma das roteiristas de quadrinhos mais famosas do mundo. Eu tremia toda, mas aguentei firme e forte. Participei do debate, segurei a onda e fui saindo de fininho, quando ela me chamou. “Você fez 'Navio Dragão', o quadrinho daquela viking?”, ela perguntou com simpatia. Minhas pernas ficaram moles, meu estômago gelou e minha cabeça começou a formigar. “Sim, fui eu!”, respondi desesperada. “Comprei ontem e passei a madrugada traduzindo. Já é um dos meus quadrinhos favoritos! Virei fã!”, ela disse e me abraçou.

Eu não era ninguém – e sigo assim – mas foi ali que eu percebi que só os quadrinhos me proporcionaram esse tipo de experiência. E só o que eu precisava era coragem para navegar. Daí eu tirei meu barquinho do porto, joguei a âncora fora e decidi que eu não queria só contar histórias. Eu queria vivê-las.



Bom, queria divulgar material para inspirar leitores e produtores. Então, vamos lá:



O Cuzcuz é um canal que fala de cultura pop em geral, mas esse vídeo é um compilado de quadrinhos para todos os gostos!


Esse já é mais específico para quem está começando! A Raquel indica quadrinhos de leitura leve e engajada, perfeito para quem está perdido no meio das muitas opções!


Todos os vídeos da Fran me inspiram muito. Ela é bem sincera sem a glamourização da vida de um artista. Fora que o trabalho dela é lindo!


Sou fã do Sapo Lendário. Não é sobre quadrinhos, mas eu acho muito inspirador ver pessoas trabalhando e entender o processo delas.


Esse vídeo eu vejo uma vez por semana e sempre fico muito motivada! A vida as vezes dá umas rasteiras, mas a gente faz boa arte delas.


Essa página de quadrinhos sendo pintada em aquarela é algo tão incrível que eu não tenho nem palavras para explicar. Clica aí.


O Neil Gaiman é meu autor favorito, mas não é por isso que tem dois vídeos dele. É porque ele nos lembra de coisas muito importantes.


Esse último não é vídeo. Mas é uma discussão importante sobre várias questões de representatividade nos quadrinhos e eu acho muito legal ver o mundo das HQs indo contra a intolerância.

Rebeca Prado é graduada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais, fez diversos cursos na Casa dos Quadrinhos, Zupi Academy e trabalha como ilustradora, quadrinista e professora de desenho.



Comentários:

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yanna Amorim 12/03/2018 15:22:14

adorei os videos do Neal Gaiman, pois ele é uma fonte que me inspira ha bastante tempo. principalmente em sandman. venho criando personagens.. e sempre me sinto insegura em começar quadrinhos

Fabiana Boiman 08/03/2018 23:18:15

aaaaaaaaaaaaaaahhhhh!!! Melhor notícia vc aqui! amo muito!!! <3

Júlio Amoreira 08/03/2018 18:39:16

Gostei do seu texto... bacana!!! Me identifiquei com a parte quando você disse que leu Retalhos e teve um PuM!! Aquele quadrinho foi o que tirou de mim todo preconceito que eu tinha das HQ's... agora tenho uma nova ideia deste mundo!! Parabéns pelo seu post e trabalho!!

Fernanda Martins 06/03/2018 13:36:52

Gostei bastante, ainda mais que quero me aventurar neste mundo. Estou por enquanto no storyboard.

Larissa virco 05/03/2018 19:13:33

Gostei!