A importância das Referências para o Artista

Por: Caroline Garcia - 29/05/2020

 

Oi! Meu nome é Caroline Garcia e sou ilustradora freelancer. Sou formada na faculdade de Publicidade e Propaganda em 2016, que, curiosamente, mas nada incomum, acabei indo trabalhar nesse mundo das artes. Criando personagens e cenários, “traduzindo” contos através das cores, expressões e ações para livros infantis e infanto-juvenis.

E começo escrevendo essa carta para você com uma pergunta simples, mas que sempre é tema de grandes discussões: você já fez um desenho e/ou postou nas suas redes sociais e alguém perguntou se você usou alguma referência? Ou se aquele desenho lembra tal foto, tal personagem ou tal obra de algum artista? Talvez esta seja uma pergunta que faz os seus pelos se arrepiarem, seu estomago revirar ou causar um certo reboliço, não é?

Se já aconteceu isso com você – assim como já aconteceu comigo – e, na hora, existiu aquele sentimento de culpa, eu tenho algo muito importante para te dizer, meu jovem Padawan: fique tranquilo, você não fez nada de errado!

Essa preocupação com o uso das referências visuais acontece com bastante frequência dentro da comunidade artística, porque muitos acreditam que se as usassem estariam “roubando” a imagem real. Resultando uma falta de originalidade na obra do artista. Mas não é verdade. E qualquer profissional irá confirmar isso.

Todos nós precisamos de uma base, de um ponto de partida. Precisamos de ferramentas que nos ajudarão a criar uma ilustração, porque simplesmente ninguém nasceu sabendo ou possuindo todas as informações do universo. Elas não surgem simplesmente do nada, trazendo credibilidade de originalidade.

O que torna a arte original é a interpretação singular daquilo que você viu, sentiu, experimentou ou tocou. Até podemos voltar para a escola... Você lembra quando o(a) professor(a) de artes te pedia para copiar uma pintura antiga dos livros? Na verdade, aquilo nada mais é do que um estímulo para desenvolver sua percepção e criatividade. É um exercício que é até aplicado nos meios profissionais. E há escolas específicas que te ensinarão os fundamentos, como por exemplo: técnicas de pintura, a teoria das cores, concept art, cenários, desenho de figura humana e etc.

 

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Primavera (1873) de Pierre Auguste Cot lado esquerdo, e meu estudo ao lado direito (2018).

 

OBS: Mas cuidado! As cópias servem para estudos e não para divulgações e uso inadequado. Se você copiou a arte de um artista para estudar e quer compartilhar com o seu público, não se esqueça de dar os devidos créditos e justificar o porquê fez a obra.

É importante ter uma base, porque sem isso haverá dificuldade na hora de desenhar. Se você quer reproduzir crianças de 5 a 8 anos brincando em um parquinho, precisa de imagens de crianças nessa faixa etária e modelos de brinquedos. Quer desenhar um Dálmata? Precisa de referências da estrutura corporal do doguinho. E por aí vai.

 

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Meu sketchdump de 2017

 

O artista tem a missão de expressar uma visão única de arte, mas é impossível não sermos influenciados. E isso é algo positivo.

Antes de trabalhar como ilustradora, eu apenas fazia as coisas por hobby. Eu estava muito mais envolvida com o estilo anime/mangá, então meus primeiros desenhos compartilhados na internet carregavam essas influências orientais.

 

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Minha ilustração de 2012.

 

Anos depois, fui conhecendo novos artistas na comunidade do Devianart e aquilo foi me trazendo inspirações e outras influências. Até que uma artista mudou totalmente minha perspectiva, quando eu conheci o trabalho e a história dela. Lois van Baarle, mais conhecida mundialmente como Loish, foi minha maior inspiração e o que me levou a querer evoluir minhas habilidades com a pintura digital, e até mesmo com o tradicional. Seus estudos, processos e artes finalizadas eram impressionantes. Quando notei que ela oferecia tutoriais e estudos para o seu público, eu praticamente desenrolei. Eu amadureci muito rápido e, consequentemente, mudou todo o meu estilo.

Graças aos ensinos fornecidos por ela em suas redes sociais, eu consegui chegar onde cheguei. Mas minha jornada ainda não acabou, e sempre tem coisas novas para aprender!

 

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Pintura da Ariel feita em 2014. E lado direito, uma de 2020.

 

As influências também são muito importantes para nós, pois elas nos ajudam a desenvolver nossas próprias artes, despertando os nossos gostos. Elas justificam o resultado final. E acredite: sem as referências que tive, não seria a artista que sou hoje.

As referências servem para inspirar a originalidade de cada artista. E isso que é arte: uma resposta a cultura cheia de gente talentosa que sempre tem algo único dentro de si despertado pelo outro.

Minhas ilustrações estão aqui no Inspirarte:

https://www.inspirarte.art.br/artista/Caroline_Garcia/perfil

 

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Oie! Meu nome é Caroline Garcia e sou ilustradora freelancer localizada em São Paulo. O foco do meu trabalho artístico está no desenvolvimento de personagens com paletas de cores vibrantes!



Comentários:

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Bruna 15/06/2020 22:42:52

Lindo demais o teu trabalho. Já havia visto nas redes sociais e que bom poder te conhecer um pouco mais. Parabéns!

Valdeir Silva 02/06/2020 11:06:25

Lindo seu trabalho, E seu texto mexeu comigo. As vezes, mesmo sabendo que é normal usar referências, ficamos com receio de alguém saber que viu o que você fez em outro lugar.