Ilustração

Por: Isadora Zeferino - 19/02/2018

Já começando pela parte didática, ilustração não é simplesmente uma maneira bonita de chamar um desenho, e embora os dois estejam quase sempre andando de mãos dadas, a ideia de uma ilustração carrega dentro dela a necessidade de intenção e objetivo. Um desenho pode ser feito só para aquecer a mão, se divertir, experimentar ou treinar... Uma ilustração, entretanto, tem o requisito básico de funcionar como material de suporte, sempre uma mensageira de alguma ideia ou conceito, jamais deficiente de significado.



A própria palavra ilustrar tem na sua raiz a ideia de luz, de iluminar alguma coisa, esclarecer para uma ou mais pessoas uma informação apresentada em outra mídia ou até mesmo dentro de si mesma. Nós, ilustradores, temos a tarefa de ler um texto, ouvir uma música, ver um filme e pensar como podemos colocar no papel as coisas que sentimos e pensamos. Com armas como traços, cores, formas e os símbolos que derivam deles, precisamos achar dentro de nós mesmos uma sinestesia que seja capaz de ecoar no coletivo.



Gosto de dizer para mim mesma que meu trabalho é ser uma agente do catártico, que de maneira figurada, quando recebo parágrafos para ilustrar ou estou considerando colocar uma ideia no papel, me torno também uma construtora de pontes.

E no meio de tudo isso, o que eu vejo como a maior inspiração é lembrar, a todo momento, que ao invés de me perguntar: “O que mostrar? O que eu quero que as outras pessoas vejam?”, eu posso torná-las “O que eu sinto e o que eu quero fazer as outras pessoas sentirem...” E como isso me trouxe cada vez resultados mais interessantes.



Quando estou trabalhando pra mim mesma ao invés de clientes, fica muito mais óbvio o meu eterno interesse por passar sensações específicas, como a ideia de crescer, melhorar, se encantar e estar pura e simplesmente feliz dentro de si mesma... E no momento que meus desenhos se propõem a passar essa mensagem, eles se transformam em várias coisas ao mesmo tempo: uma ilustração, uma carta branca, uma mão estendida, uma pipa no céu (quando você assistir aos primeiros vídeos das recomendações, vai entender).


Mais vídeos para se inspirar



O desenho nesse vídeo empresta uma sutileza e fragilidade que é muito única. Essa música foi lançada faz bastante tempo, mas quando a dodie lançou esse clipe, há pouco menos de um mês, ela ofereceu a experiência conjunta de ouvir a música e ver a mensagem de maneira visual, o que acabou me emocionando bem mais.


Apesar das situações caricatas e bastante absurdas, é um clipe que só conseguiu ser tão fofo e interessante pelo tipo de mídia utilizada, e nunca falha em me inspirar pelo resultado lindo e a quantidade de trabalho demandada para ele existir.


Existe um número enorme de curtas que eu podia ter colocado aqui para dar de exemplo. Escolhi esse particularmente pelo estilo mais cartoon 2D, para mostrar como essa narrativa praticamente muda (tem pouquíssimas falas reais) consegue passar um sentimento tão presente nas nossas vidas usando um acessório (crocodilo azul) de simbolismo para algo que não é tangível.


Outro exemplo de uma narrativa visual linda! Esse vídeo faz sua cabeça conseguir facilmente entender uma história sem precisar de palavras.


Lullatone é uma banda que cria arranjos instrumentais que tentam captar a sensação dos títulos de situações ou eventos super específicos que eles colocam neles, uma maneira muito interessante de - mais uma vez - capturar algo que cabe dentro de um parágrafo e colocar em outro “recipiente”.


O Sleeping at last, por sua vez, faz algo ligeiramente diferente no sentido de pegar um conceito como os planetas do sistema solar, ou os oceanos que temos na Terra, e criar letras e ritmos cheios de significado que trazem personalidades especiais para cada um deles. Quando termino de ouvir o álbum “Atlas”, a sensação que sobra é que eu realmente estive viajando pelo universo. Mais uma maneira meio brega, mas muito honesta de como eu acredito que a arte aplicada em suas várias formas nos leva tão mais longe do que podemos imaginar.

Isadora Zeferino é estudante de design, ilustradora freelancer e trabalha com animação no Combo Estúdio (RJ). Encontrou no desenho a melhor saída para pensar no tipo de mundo que ela queria viver, já que enxerga a arte como uma ferramenta para guardar todas as coisas bonitas no seu próprio universo.



Comentários:

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Anderson Finho 06/03/2018 00:41:27

Muito legal...Tbm e assim que vejo a ilustração,e descrever,ilustrar uma ideia através da identidade artística de cada um

Ronaldo Fernandes 05/03/2018 19:05:36

Que incrível!

yanna Amorim 02/03/2018 21:37:40

muito inspiradora ..e os videos que você indicou sao realmente otimos.

Rogério Narciso 28/02/2018 23:20:37

Texto lindo e inspirador! ^^

Rogério Narciso 28/02/2018 23:20:10

Texto lindo e inspirador! ^^

Hannah Cardoso 20/02/2018 23:01:46

Muito bacana, Isa! Suas ilustrações realmente passam essa sensação de calma e contemplação, legal saber como você pensa pra desenvolver elas :) E os vídeos ilustram muito bem essa ligação entre a arte visual e a evocação dos sentimentos, principalmente o do Lullatone!