Identidade e Estilo no Desenho

Por: Eduardo Vieira - 24/09/2018

Eu acredito que não estamos aqui nesse mundo por acaso, e que todos nós temos algo a dizer. Todos queremos deixar uma mensagem, fazer algo significativo, ser reconhecidos por nossas ações enquanto estamos por aqui. E essa “mensagem”, mesmo que seja simples e mínima, é de essencial importância para nós, dá fôlego à nossa alma, ao nosso dia a dia, aos nossos anseios, e é ela que dá significado à nossa busca como seres humanos. Essa mensagem é parte do nosso desejo de sermos indivíduos, é parte da nossa identidade.
Se você já assistiu ao filme “Tempos Modernos”, do gênio Charles Chaplin, sabe bem do que eu estou falando. Ninguém quer ser apenas mais uma peça igual a todas as outras em uma grande engrenagem! Queremos ser mais, queremos ter importância, poder de escolha e de expressão.

Imagem Arte
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Esse mesmo desejo de individualidade, de ter uma identidade e de ser reconhecido, está presente no nosso dia a dia como artistas.

Sabe aquele artista incrível que você tanto admira, que você identifica que um determinado desenho é dele só de bater o olho, sem precisar da assinatura nem nada? Bom, isso é basicamente a mesma coisa que acabamos de falar acima, dentro do contexto artístico. Essa admiração, no meu ponto de vista, é um reflexo da necessidade de nos afirmarmos como indivíduos. E parece que é de entendimento geral que ter um “estilo” de desenho, marcado e reconhecível, é algo de extrema importância. Parece sinônimo de maturidade artística.

Bom, e como se chega à essa tal maturidade artística?

Isso, meu amigo, só vem com duas coisas: estudo e vivência.

Imagem Arte
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ESTUDO: Eu entendo que o desenho é uma linguagem não-verbal, e, portanto, enquanto desenhistas, estamos aprendendo um “idioma”. Esse idioma é o que permite que nos expressemos através do desenho! Existe todo um conjunto de disciplinas que ajuda a construir nosso “vocabulário” como artistas; fundamentos técnicos como anatomia, perspectiva, luz e sombra, composição, cor, narrativa, design e linguagem visual, etc. Esses fundamentos permitem que nos comuniquemos claramente através do desenho. Você não precisa saber de tudo! Mas, quanto mais você souber, mais fácil será se expressar. Além disso, existe um ponto importante: a liberdade artística nasce do conhecimento técnico. Afinal, para desconstruir o desenho, é preciso primeiro aprender a construí-lo!

VIVÊNCIA: Porque eu enfatizei a importância da vivência associada ao conhecimento técnico? Porque é aqui que você reforça a sua individualidade como artista! Se o conhecimento técnico (estudo) é o seu vocabulário, a vivência é o seu sotaque e o seu tom de voz na linguagem do desenho.

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Ao lidar com obstáculos dentro do desenho, normalmente temos duas opções: tentar ou desistir. Todo mundo já passou por isso. É a dificuldade de desenhar uma pose específica de uma mão, uma determinada expressão facial, uma cena de ação, etc. Nos deparamos com aquela sensação de “não sei fazer isso”, porque, afinal, nunca fizemos antes. Mas, se tentarmos o suficiente, vamos de alguma forma chegar a uma solução, e essa solução vai ficar gravada nas nossas cabeças, porque foi um marco para nós; afinal vencemos um obstáculo! É como andar de bicicleta: você tenta várias vezes e leva várias quedas, eventualmente perde um dente, mas depois que aprende não esquece nunca mais. É um processo que, depois de internalizado, se torna mecânico; sempre que nos depararmos com aquele problema, vamos saber onde encontrar a solução!

No desenho, são esses marcos que constroem nosso estilo: cada problema que você resolve fica marcado na sua cabeça como uma linguagem só sua, um jeito seu de interpretar aquela imagem, e se torna um recurso a mais no seu repertório como artista. Sempre que você passar novamente por ali, vai lembrar: “Ei. Eu já vi isso antes”. E isso não é algo que se cria, simplesmente acontece, a partir dessa alternância de estudo e vivência, estudo e vivência, estudo e vivência — sem parar. Quanto mais conhecimento você adquire, mais ferramentas passa a ter para conseguir solucionar problemas. Quanto mais problemas você enfrenta, mais experiência você adquire. Lembra daquela tal “maturidade artística” que falamos lá atrás?

Pra encerrar, eu sinceramente acredito que estilo não é algo que podemos buscar deliberadamente, conscientemente. É algo que simplesmente aparece, de acordo com as nossas experiências. É necessário desenhar, se envolver, se divertir, tomar decisões e conclusões, e, o mais importante de tudo, aprender a valorizar essas experiências! Porque são elas que vão construir a nossa individualidade artística e nos ajudar a ter nossa própria voz dentro do desenho.

Eduardo Vieira é um Ilustrador e Designer de Personagens tentando achar seu lugar nesse mundo grande através da sua arte! Além disso, gosta de pizza, futebol, videogame, música dos anos 80-90 e maratonas de Netflix.



Comentários:

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Izadora Cunha 06/10/2018 15:25:54

Legal

Michel Oliveira 04/10/2018 22:42:29

Vc é bom manoh

Jeff Valerio 02/10/2018 13:35:33

Concordo com isso de que não adianta "criar" um estilo, mas ele se mostra com o tempo. Mas quanto a diversão pra mim é complicado, eu sou muito ruim kkkk então sempre é uma luta.

telma Molina 01/10/2018 12:58:48

Maravilhoso trabalho!

Ivonete Maciel 27/09/2018 16:46:06

Olá! Penso na arte como algo prazeroso, ainda na procura do meu estilo, mas tudo que aprendi até agora me impulsionou a querer me aperfeiçoar em algumas técnicas. Admiro sua arte, seu pensamento como artista,Desejo mt sucesso em sua vida. Um grande abraço!